O que fazer quando seu sonho parece grande demais para uma mulher como você — com Débora

Você já teve um sonho tão grande que a primeira coisa que sentiu foi vergonha de tê-lo?

Não medo. Vergonha. Aquela sensação de que só de imaginar aquilo para a sua vida você já está sendo presunçosa, iludida, fora do lugar.

Quem você pensa que é para querer isso?

Essa pergunta, formulada exatamente assim ou de outras formas igualmente cruéis, mora na cabeça de muitas mulheres. Talvez more na sua. E ela tem um poder devastador, porque não vem de fora. Vem de dentro. É a sua própria voz dizendo que o sonho é grande demais, o chamado é grande demais, você é pequena demais.

Débora não tinha essa voz. Ou se tinha, ela aprendeu a não obedecê-la.

Porque Débora era juíza de Israel em um tempo em que isso era, por qualquer medida cultural da época, impossível para uma mulher. Ela liderava um povo inteiro. Ela julgava disputas. Ela ouvia de Deus e transmitia ordens para generais. E quando o momento mais crítico da história do seu povo chegou, foi ela quem disse o que precisava ser feito.

Este artigo é para você que tem um sonho que parece grande demais. Para você que recua antes mesmo de começar porque a distância entre onde está e onde quer chegar parece absurda. Para você que confundiu o tamanho do sonho com uma prova de que não é para você.

Vamos conversar sobre isso.

O problema não é o tamanho do sonho. É a régua que você usa para medir

Quando dizemos que um sonho é “grande demais”, estamos comparando ele com alguma coisa. E essa coisa, quase sempre, é a versão atual de nós mesmas.

O sonho parece grande demais para a mulher que você é hoje. Para a mulher que você foi até agora. Para a mulher que as pessoas ao seu redor conhecem.

Mas propósito não foi desenhado para a versão atual de você. Ele foi desenhado para a versão que você ainda vai se tornar no processo de persegui-lo.

Débora não nasceu juíza. Ela se tornou juíza. Antes de sentar debaixo da palmeira que levava seu nome e julgar Israel, ela foi uma mulher comum em um tempo extraordinariamente difícil. O que a diferenciou não foi uma habilidade especial que caiu do céu. Foi a disposição de ser quem era completamente, sem se encolher diante do tamanho do que era pedido.

A régua errada vai te dar sempre a resposta errada. Se você mede o seu sonho pela sua capacidade atual, ele vai parecer impossível. Se você o mede pelo que você pode se tornar ao caminhar em direção a ele, a equação muda inteiramente.

Débora não pediu permissão para ocupar o espaço que era dela

Uma das coisas mais silenciosamente revolucionárias na história de Débora é o que ela não fez.

Ela não se desculpou por estar ali.

Não há no texto bíblico nenhum registro de Débora dizendo que talvez outro fosse mais adequado, que ela era apenas uma mulher, que o povo merecia uma liderança mais convencional. Ela simplesmente estava onde foi chamada a estar e fazia o que foi chamada a fazer.

Existe uma armadilha muito específica que acomete mulheres com sonhos grandes: a necessidade de justificar o sonho antes de perseguí-lo. De provar que merecem. De acumular credenciais suficientes para se sentir autorizadas a querer o que querem.

Débora não esperou acumulação de credenciais. Ela simplesmente foi.

Isso não significa imprudência. Significa que ela havia resolvido internamente a questão que muitas de nós ainda carregamos sem resolver: a questão de se sentir digna do chamado.

Você não precisa ser perfeita para começar. Você não precisa ter tudo resolvido. Você não precisa da aprovação de todo mundo ao redor. O que você precisa é da mesma coisa que Débora tinha: a certeza de que foi chamada e a coragem de agir a partir disso.

O momento em que o sonho encontra a realidade

Havia um general chamado Baraque. Débora o mandou chamar e transmitiu a ele a ordem de Deus: reunir dez mil homens e enfrentar Sísera, comandante do exército inimigo com novecentos carros de guerra feitos de ferro. Uma força militar que parecia intransponível.

E Baraque respondeu: “Se você for comigo, irei, mas, se não for comigo, não irei.”

O general precisava da presença da profetisa para entrar em batalha. Não porque ela fosse lutar. Mas porque a presença dela representava algo que nenhuma estratégia militar podia substituir: a certeza de que Deus estava no movimento.

Débora foi. Sem hesitar, sem negociar, sem recuar.

Mas disse a Baraque uma coisa que merece atenção: “Está bem! Irei com você. Saiba, porém, que, por causa do seu modo de agir, a honra não será sua, porque o Senhor entregará Sísera nas mãos de uma mulher.” (Juízes 4:9)

Ela não estava apenas encorajando um general inseguro. Ela estava profetizando. E a profecia se cumpriu exatamente como ela disse, com Jael, que encerrou a história com as próprias mãos.

Quando chegou o momento da batalha, no versículo 14, Débora disse a Baraque: “Vá! Este é o dia em que o Senhor entregou Sísera nas suas mãos. O Senhor está indo à sua frente!”

Ela não disse talvez. Não disse vamos ver. Não disse espera um pouco mais para ter certeza. Ela disse: este é o dia. Vá.

Quando você tem clareza do seu chamado, chega um momento em que a única resposta certa é se levantar e ir. Não quando tiver mais segurança, não quando o cenário for mais favorável, não quando você se sentir mais preparada. Agora. Porque este é o dia.

E há algo mais. No Cântico de Débora, no capítulo 5, ela canta sobre si mesma com uma frase que diz tudo sobre quem ela era: “até que eu, Débora, me levantei; levantou-se uma mãe em Israel.” (Juízes 5:7)

Ela não se chamou de guerreira. Não se chamou de líder política. Se chamou de mãe. Uma mulher que se levantou porque o seu povo precisava, porque era hora, porque ninguém mais estava se movendo. E esse movimento dela mudou a história de uma nação inteira.

A síndrome de esperar o momento perfeito

Uma das formas mais sofisticadas de sabotar um sonho é esperar as condições perfeitas para começar.

Quando terminar a faculdade. Quando os filhos crescerem. Quando a situação financeira estabilizar. Quando eu tiver mais experiência. Quando eu me sentir pronta.

O problema é que o momento perfeito não existe. E enquanto você espera por ele, o sonho vai envelhecendo dentro de você, perdendo cor, urgência e vida.

Débora não esperou um momento perfeito. Israel estava oprimido há vinte anos quando ela agiu. O inimigo tinha novecentos carros de ferro. O general precisava de apoio emocional para ir à batalha. As condições eram objetivamente terríveis.

E ela disse: este é o dia. (Juízes 4:14)

Porque o momento perfeito não é aquele em que tudo está resolvido. É aquele em que você decide que vai, independentemente do que não está resolvido.

Pergunte a si mesma com honestidade: você está esperando condições melhores, ou está esperando porque tem medo de começar e falhar? Porque essas são duas coisas muito diferentes, e confundi-las custa caro.

Condições melhores às vezes chegam. Medo de começar nunca some esperando.

O que Débora sabia que você precisa saber

Débora sabia uma coisa que mudava completamente a equação do sonho grande demais: ela não estava sozinha nele.

Não era ela contra Sísera. Era ela, Baraque, o povo de Israel e Deus. E quando você tem essa consciência, o cálculo do possível e do impossível muda radicalmente.

O sonho não é grande demais para você. É grande demais para você sozinha. E nunca foi para ser carregado sozinha.

Uma das maiores mentiras que o medo nos conta é que o sonho é nossa responsabilidade exclusiva, que temos que carregar tudo, prever tudo, garantir tudo antes de dar o primeiro passo. Mas nenhuma mulher de propósito na Bíblia trabalhou dessa forma.

Rute tinha Noemi. Ester tinha Mordecai. Maria tinha Isabel. E Débora tinha Baraque, tinha o povo, tinha a certeza de que o que ela ouvia de Deus era real.

Você não precisa de um plano perfeito. Precisa de clareza suficiente para o próximo passo e da humildade de reconhecer que não vai fazer isso sozinha.

Quando o sonho parece grande demais, talvez seja porque você ainda não viu o tamanho do que te apoia

Existe uma cena na batalha de Débora que é quase poética na sua precisão.

Quando o momento chegou, o texto bíblico diz que as estrelas lutaram contra Sísera. O próprio rio Quisom varreu os inimigos.

A natureza inteira se moveu a favor do propósito que Débora havia abraçado.

Isso não é apenas poesia bíblica. É uma verdade sobre como o propósito funciona. Quando você está no alinhamento certo, coisas que você não planejou começam a trabalhar a seu favor. Conexões aparecem. Oportunidades surgem. O caminho que parecia bloqueado encontra uma abertura que você não havia visto.

Não porque a vida é mágica. Mas porque quando você para de bloquear o seu próprio chamado com o seu próprio medo, você começa a perceber o que sempre esteve disponível para te apoiar.

O sonho não ficou menor. Você ficou maior. E o que te apoia ficou mais visível.

As perguntas que Débora faria para você

Se Débora sentasse debaixo da sua palmeira e te chamasse para uma conversa, ela provavelmente diria poucas palavras. Débora era mulher de ação, não de longas explicações.

Mas ela faria perguntas diretas.

Qual é o sonho que você tem vergonha de admitir em voz alta? Não o sonho aceitável, o que as pessoas ao seu redor aprovariam sem piscar. O que você guarda porque parece grande demais, presunçoso demais, improvável demais.

Você está esperando se sentir pronta ou está esperando ter coragem de começar sem se sentir pronta? Porque prontidão total não existe. Coragem de começar mesmo assim, existe.

Quem ou o quê você está esperando que te dê permissão? Débora não esperou permissão de ninguém. Ela tinha uma autoridade que vinha de dentro. Você sabe de onde vem a sua?

O que você faria amanhã se soubesse que não ia falhar? Essa não é uma pergunta sobre garantias. É uma pergunta sobre o que você realmente quer, sem o ruído do medo distorcendo a resposta.

O sonho grande demais é uma pista, não um obstáculo

Aqui está algo que ninguém te conta sobre sonhos grandes: o desconforto que eles causam é parte do design.

Se o sonho coubesse perfeitamente na sua zona de conforto atual, ele não exigiria crescimento. E propósito quase sempre exige que você se torne alguém diferente de quem você é agora.

Débora não poderia ter liderado Israel permanecendo exatamente como era antes de cada desafio que enfrentou. O chamado a formou. A batalha a formou. A responsabilidade a formou.

O seu sonho grande demais não é uma prova de que você está errada sobre ele. Pode ser exatamente o sinal de que você está certa. Porque os sonhos que realmente importam raramente parecem confortavelmente possíveis no começo.

Se parece grande demais, talvez seja porque é exatamente do tamanho certo para quem você foi chamada a ser.

Um convite

Débora se levantou porque este era o dia.

Qual é o seu dia?

Não o dia perfeito. Não o dia em que tudo estiver resolvido. O dia em que você decide que o sonho que você carrega é real o suficiente para merecer o seu primeiro passo.

Pode ser um passo pequeno. Pode ser apenas escrever o sonho em um papel e admitir para si mesma que ele existe e que você o quer. Pode ser uma conversa com alguém de confiança. Pode ser pesquisar o que você precisaria aprender para começar.

O tamanho do primeiro passo não importa tanto quanto o fato de que você o deu.

Débora disse a Baraque: levanta-te.

Eu digo o mesmo para você.

Você tem um sonho que parece grande demais? Conta pra mim nos comentários. Quero saber o que você carrega e o que tem te impedido de começar.

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