Seu momento de agir chegou e você está com medo. Tenha coragem como Ester

Você já soube exatamente o que precisava fazer e mesmo assim ficou paralisada?

Não por falta de clareza ou falta de informação. Mas porque o medo chegou antes da coragem e ocupou todo o espaço disponível.

Você sabia o que era certo. Sabia o que era necessário. E ainda assim o coração acelerou, as mãos esfriaram, e uma voz interna começou a listar todos os motivos pelos quais talvez não fosse o momento, talvez houvesse outro jeito, talvez outra pessoa pudesse fazer isso no seu lugar.

Ester conhecia esse momento.

Ela era rainha. Tinha poder, posição, beleza e influência. E estava com tanto medo que precisou de três dias de jejum antes de conseguir dar o passo que sabia que precisava dar.

Este artigo não é sobre eliminar o medo. É sobre o que você faz quando ele chega e o momento não pode esperar.

O contexto que ninguém te conta sobre Ester

A história de Ester é frequentemente contada como uma história de bravura instantânea. Uma mulher bonita que salvou o seu povo com elegância e coragem.

Mas o texto bíblico conta uma história muito mais humana do que essa.

Ester era uma jovem judia órfã, criada pelo primo Mordecai, que havia sido levada para o palácio do rei Assuero e se tornado rainha de uma forma que ela não escolheu exatamente com liberdade. Ela vivia em um ambiente de poder absoluto onde uma palavra errada podia custar a vida.

E quando Mordecai a procurou para pedir que ela intercedesse pelo povo judeu diante do rei, a primeira resposta de Ester não foi sim. Foi uma explicação detalhada de por que era perigoso demais.

Ela disse a Mordecai que qualquer pessoa que se aproximasse do rei sem ser convocada seria morta, a menos que o rei estendesse o cetro de ouro. E que ela não havia sido chamada à presença do rei havia trinta dias.

Ela estava com medo. E esse medo era completamente racional. A lei era real. O perigo era real. A morte era real. E ainda assim o momento também era real.

A frase que Mordecai disse que mudou tudo

Mordecai não minimizou o medo de Ester. Ele fez algo muito mais poderoso: ele expandiu a perspectiva dela.

Disse a ela que se ela ficasse em silêncio naquele momento, a libertação viria de outro lugar, mas que ela e a família do pai seriam destruídas. E então fez a pergunta que atravessa séculos e ainda ressoa hoje:

“Quem sabe se não foi precisamente para um momento como este que você chegou à posição de rainha?” (Ester 4:14)

Essa pergunta não era uma acusação. Era um convite para Ester ver a própria vida de um ângulo diferente. Para considerar que tudo que havia acontecido com ela, a orfandade, a beleza, o favor do rei, a posição de rainha, talvez não fosse uma série de coincidências, mas uma preparação para exatamente aquele momento.

Quem sabe se não foi para um momento como este.

Essa pergunta tem o poder de mudar completamente a relação que você tem com o seu próprio medo. Porque ela desloca o foco do perigo para o propósito. Do que você pode perder para o que você foi chamada a fazer.

Quando você está paralisada pelo medo, a pergunta de Mordecai é a que você precisa fazer para si mesma: quem sabe se não foi precisamente para um momento como este que tudo na sua vida te preparou?


O que Ester fez com o medo

Ester não fingiu que o medo não existia. Ela não respirou fundo e foi em frente com uma coragem que não sentia.

Ela pediu três dias.

Disse a Mordecai que reunisse todos os judeus de Susã para jejuar por ela, que ela e suas servas também jejuariam, e que depois iria ao rei. E então disse uma frase que é uma das mais corajosas de toda a Bíblia: “Se eu perecer, que pereça.”

Pense no que essa frase revela. Ela não havia eliminado o medo. Ela não havia garantido o resultado. Ela não sabia o que ia acontecer quando se aproximasse do rei sem ser convocada.

O que ela havia feito era algo diferente e muito mais profundo: ela havia decidido que o propósito era maior do que o medo.

Não que o medo fosse pequeno. Mas que o chamado era maior.

Essa é a definição real de coragem. Não é a ausência do medo. É a decisão de agir apesar dele, quando o que está em jogo é grande o suficiente para justificar o risco.

Ester foi ao rei com medo. E o rei estendeu o cetro de ouro.


Os três dias que fazem toda a diferença

É fácil passar por cima dos três dias de jejum como um detalhe espiritual secundário da história. Mas eles revelam algo essencial sobre como agir diante do medo.

Ester não foi imediatamente. Ela preparou.

Não preparou no sentido de eliminar o risco ou garantir o resultado. Preparou no sentido de se alinhar internamente com o que estava prestes a fazer. De reunir ao redor de si pessoas que estavam do seu lado. De criar um espaço de silêncio e foco antes do momento decisivo.

Muitas mulheres vivem em um dos dois extremos quando o medo chega. Ou agem impulsivamente para não ter que sentir o medo por muito tempo, ou procrastinam indefinidamente esperando que o medo passe sozinho.

Ester fez nenhum dos dois. Ela parou, reuniu força, e então foi.

Há uma sabedoria enorme nesse ritmo. O momento de agir não exige que você vá agora mesmo, sem respirar, sem preparar. Mas também não permite que você espere eternamente até se sentir completamente pronta.

Há um tempo certo entre o chamado e a ação. E esse tempo não é para eliminar o medo. É para decidir que você vai mesmo assim.


Quando o momento não pode esperar por você

A pergunta de Mordecai tinha uma urgência real. O decreto havia sido assinado. O povo judeu seria destruído em uma data marcada. O tempo era um fator crítico.

E às vezes o seu momento também tem uma urgência que você prefere ignorar.

Não é sempre assim. Há decisões que podem esperar, que ficam melhores com mais tempo e mais informação. Mas há outras que têm uma janela. Uma oportunidade que não vai ficar aberta para sempre. Uma conversa que precisa acontecer agora. Um passo que, se não for dado hoje, vai custar muito mais caro amanhã.

O problema é que o medo é muito bom em nos convencer de que sempre há mais tempo. Que amanhã vai ser mais fácil. Que quando as condições melhorarem um pouco, você vai conseguir dar o passo.

Mordecai não deixou Ester nessa ilusão. Ele disse claramente: se você ficar em silêncio agora, a libertação virá de outro lugar. Você pode ser substituída no propósito. Mas você não pode ser substituída na sua vida.

Qual é o momento que você está adiando porque o medo chegou antes da coragem? Qual é a conversa, a decisão, o passo que você sabe que precisa dar e que continua encontrando motivos para adiar?


O que acontece quando você vai mesmo com medo

Ester foi ao rei. Vestiu as roupas reais, ficou no pátio interno do palácio, e esperou.

E o rei a viu e estendeu o cetro de ouro.

Mas aqui está algo que poucos percebem: ela não pediu o que havia ido pedir logo de início. Ela convidou o rei e Hamã para um banquete. E depois de um banquete, convidou para outro.

Ela foi com coragem, mas também com sabedoria. Ela leu o ambiente, avaliou o momento, e esperou o tempo certo para falar o que precisava ser falado.

Coragem não é impulsividade. É a disposição de entrar na situação que você temia e então agir com discernimento dentro dela.

Quando você finalmente dá o passo que estava adiando por medo, raramente a situação é tão catastrófica quanto o medo prometia. O que você descobre, quase sempre, é que tinha mais recursos do que imaginava. Que o ambiente respondia de formas que você não havia previsto. Que você era mais capaz do que o medo te deixava acreditar.

Ester descobriu isso. E ao descobrir, salvou uma nação inteira.


As perguntas que Ester faria para você

Se Ester pudesse sentar ao seu lado agora, com a serenidade de quem já passou pelo maior medo da própria vida e sobreviveu, ela provavelmente faria perguntas diretas e sem rodeios.

Qual é o momento que você está esperando passar para agir? O medo não vai passar antes de você agir. Ele passa durante ou depois. Nunca antes.

O que você perderia se ficasse em silêncio agora? Ester quase perdeu o seu povo. O que está em jogo para você se você não agir?

Para que momento a sua história inteira te preparou? Suas perdas, suas conquistas, suas experiências, seus dons. Para que momento tudo isso te colocou exatamente aqui?

Se você soubesse que ia dar certo, o que faria amanhã de manhã? Não estou perguntando se vai dar certo. Estou perguntando o que você faria se soubesse que sim.


“Se eu perecer, que pereça”

Essa frase de Ester é uma das mais mal compreendidas da Bíblia.

Ela não é uma frase de desespero. Não é a fala de uma mulher que desistiu de si mesma. É a fala de uma mulher que chegou a um lugar interno onde o propósito ficou maior do que a autopreservação.

Ela não estava buscando morrer. Estava dizendo que havia algo que valia mais do que a segurança de não agir.

E essa é a virada que acontece quando você realmente abraça o seu chamado. Chega um momento em que a pergunta deixa de ser “e se der errado?” e passa a ser “o que eu perco se não tentar?”

Esse momento muda tudo.

Você não precisa chegar lá de uma vez. Ester levou três dias. Mas você pode começar hoje a fazer a pergunta certa: não o que você tem a perder agindo, mas o que você tem a perder ficando parada.


Um convite

O momento de Ester chegou de uma forma que ela não escolheu, em um tempo que ela não controlava, com um risco que ela não havia pedido.

O seu momento pode estar chegando da mesma forma.

Você não precisa se sentir pronta. Ester não estava pronta. Você não precisa eliminar o medo. Ester não eliminou. Você precisa de algo muito mais simples e muito mais difícil ao mesmo tempo: decidir que o que está do outro lado desse passo vale mais do que a segurança de não dá-lo.

Três dias. Um passo. Um cetro estendido.

A história de Ester começa quando ela para de explicar por que não pode e decide ir mesmo assim.

A sua também.


Você está vivendo um momento como o de Ester? Tem algo que você sabe que precisa fazer e o medo está chegando antes da coragem? Me conta nos comentários. Você não está sozinha nesse lugar.


Leia também: O que fazer quando seu sonho parece grande demais para uma mulher como você — com Débora

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