Me sinto perdida e sem propósito na vida — o que a Bíblia diz sobre isso

Você já abriu o Instagram e sentiu que todo mundo parece ter encontrado o seu propósito menos você?

Todo mundo fala de propósito. Propósito de vida, trabalhar com propósito, viver com propósito. Parece que existe um clube secreto de pessoas que acordaram um dia sabendo exatamente para que nasceram, e você simplesmente não recebeu o convite.

E a sensação não é só de estar perdida. É de estar atrasada. Como se o trem do propósito chegou e partiu com você na plataforma olhando e esperando sua chegada.

Talvez você já tenha tentado descobrir o seu propósito. Leu livros, fez cursos, orou, buscou. E ainda assim a sensação persiste: e se propósito não for para mim? E se eu for a exceção? E se eu chegar ao fim da vida sem ter entendido para que vim?

José conhecia essa sensação.

Não porque era fraco ou sem fé. Mas porque entre o momento em que Deus plantou o sonho nele e o momento em que esse sonho se cumpriu, passaram treze anos. Treze anos de poço, escravidão e prisão.

E se você acha que está atrasada, José foi vendido pelos próprios irmãos aos dezessete anos e só viu o propósito se cumprir aos trinta.

Este artigo é para você que está perdida, atrasada e para você que já não tem certeza se propósito é uma palavra que se aplica à sua vida.

Vamos conversar sobre isso.

O menino dos sonhos que foi parar no poço

Gênesis 37:2 apresenta José com dezessete anos, pastoreando rebanhos com os irmãos. Filho favorito de Jacó, que lhe havia dado uma túnica toda ornamentada conforme Gênesis 37:3, símbolo visível do favor do pai.

E então vieram os sonhos.

Em Gênesis 37:6-7, José contou ao irmãos: “Estávamos amarrando os feixes de trigo no campo, quando o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os feixes de vocês se ajuntaram ao redor do meu e se curvaram diante dele.” E depois, em Gênesis 37:9, outro sonho: o sol, a lua e onze estrelas se curvando diante dele.

Sonhos grandes. Sonhos impossíveis para um rapaz de dezessete anos sem poder, sem posição, sem nada além do amor do pai.

E então Gênesis 37:23-24 registra o que aconteceu quando foi ao encontro dos irmãos: “Quando José chegou aonde estavam os seus irmãos, estes lhe arrancaram a túnica ornamentada, agarraram-no e o jogaram na cisterna que estava vazia e sem água.”

Do sonho ao poço em questão de versículos. Isso é o que acontece com frequência quando o chamado é ativado: antes de se cumprir, ele passa pelo poço. Não como punição. Como processo.

O padrão que ninguém te conta sobre propósito

Existe uma narrativa muito conveniente sobre propósito que circula nas redes sociais e nos livros de autoajuda cristã: você descobre o seu chamado, diz sim, e as coisas começam a se encaixar.

A história de José conta outra coisa.

Ele teve o sonho. Disse sim ao sonho contando para a família. E foi jogado no poço pelos próprios irmãos, vendido para escravidão por vinte peças de prata conforme Gênesis 37:28, e levado para o Egito como mercadoria.

Depois de algum tempo prosperando na casa de Potifar, foi falsamente acusado pela mulher do seu senhor conforme Gênesis 39:14-18, e jogado na prisão conforme Gênesis 39:20.

Na prisão, interpretou o sonho do copeiro corretamente e pediu que se lembrasse dele diante do faraó. E Gênesis 40:23 registra com crueldade simples: “O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; esqueceu-se dele.”

Poço. Escravidão. Prisão. Esquecimento.

Esse é o caminho entre o sonho e o cumprimento na história de José. E é frequentemente o caminho entre o chamado e o propósito na vida de mulheres que foram criadas para algo grande.

Por que o chamado demora tanto para se cumprir

Gênesis 41:46 registra um detalhe que muda tudo: “José tinha trinta anos de idade quando se apresentou diante do faraó, rei do Egito.”

Trinta anos. E em Gênesis 37:2, quando tudo começou, ele tinha dezessete.

Treze anos entre o sonho e o cumprimento.

Por que tanto tempo? Por que Deus não simplesmente cumpriu o sonho imediatamente?

Porque o José de dezessete anos não estava pronto para o que o José de trinta anos precisava ser.

O menino de dezessete anos que contou os sonhos para os irmãos sem nenhuma sabedoria sobre quando e para quem falar não tinha a maturidade necessária para administrar o Egito inteiro durante uma crise de fome. O jovem que dependia do favor do pai para se sentir especial não havia ainda desenvolvido a identidade que vem de confiar em Deus no meio do abandono.

O poço formou algo que o favor do pai não podia formar. A escravidão desenvolveu algo que a túnica ornamentada não podia desenvolver. A prisão aprofundou algo que a liberdade não alcançaria.

Cada etapa que parecia atraso era na verdade preparação para a próxima.

E isso é verdade na sua vida também. O que você está vivendo agora que parece desvio pode ser exatamente o que está te formando para o que vem.

O Senhor estava com José

Existe uma frase que se repete na história de José com uma insistência que não pode ser acidental.

Em Gênesis 39:2: “O Senhor estava com José.”

Em Gênesis 39:21: “O Senhor estava com ele e o tratou com amor leal.”

Em Gênesis 39:23: “O Senhor estava com José e o fazia prosperar em tudo o que ele realizava.”

O Senhor estava com José na casa de Potifar. O Senhor estava com José na prisão. O Senhor estava com José quando o copeiro o esqueceu.

Não apenas quando as coisas estavam bem. Não apenas quando o caminho estava claro. O Senhor estava com ele no meio do que parecia fracasso, injustiça e abandono.

E aqui está o que isso significa para você: a sensação de estar perdida e sem propósito não é evidência de que Deus te abandonou ou de que propósito não é para você. Pode ser evidência de que você está exatamente no meio do processo que precisa acontecer antes do cumprimento.

O Senhor estava com José no poço. Ele está com você agora.

Os nomes que José deu aos filhos

Quando o cumprimento finalmente chegou, quando José estava no poder no Egito e teve filhos, ele os nomeou de uma forma que revela o que havia processado internamente durante os treze anos.

Gênesis 41:51-52 registra: “Ao primeiro, José deu o nome de Manassés, dizendo: ‘Deus me fez esquecer de todo o meu sofrimento e de toda a casa do meu pai’. Ao segundo filho, chamou Efraim, dizendo: ‘Deus me fez crescer na terra onde tenho sofrido’.”

Deus me fez esquecer o sofrimento. Deus me fez crescer onde sofri.

Ele não negou o sofrimento. Não fingiu que o poço não havia acontecido, que a escravidão não havia sido real, que a prisão não havia doído. Ele reconheceu tudo isso e então reconheceu algo maior: que Deus havia estado em cada etapa, transformando o sofrimento em crescimento.

Você vai chegar no dia em que vai nomear o que cresceu em você durante o período que parecia atraso. E o nome vai surpreender você.

O que a sua espera está produzindo

Existe uma diferença entre espera passiva e espera ativa, e José viveu a segunda.

Em cada etapa do caminho, independentemente das circunstâncias, José fazia o que estava ao seu alcance com excelência. Na casa de Potifar, administrou tão bem que Potifar não se preocupava com nada conforme Gênesis 39:6. Na prisão, o carcereiro o encarregou de todos os prisioneiros conforme Gênesis 39:22. No calabouço, interpretou os sonhos do copeiro e do padeiro com fidelidade.

Ele não ficou paralisado esperando o cumprimento do sonho. Ele foi fiel ao que estava diante dele em cada etapa, mesmo sem saber que cada etapa era preparação para a próxima.

E quando o faraó precisou de alguém criterioso e sábio para administrar o Egito, havia um homem que havia sido formado exatamente para isso, não apesar do poço, da escravidão e da prisão, mas através deles.

O que está diante de você agora? Não o cumprimento do sonho. O próximo passo disponível. Porque é nele que o propósito está sendo construído enquanto você ainda não consegue ver o destino final.

Para mim, foi assim

Eu poderia escrever sobre propósito de uma distância segura, como conceito teológico interessante. Mas seria desonesto.

Houve um momento em que o chamado foi ativado na minha vida. E entre esse momento e hoje, passaram anos que às vezes pareciam desperdício e que só agora começam a fazer sentido como preparação.

Se você está lendo isso e se reconhece na sensação de estar perdida e atrasada, eu quero que você saiba: eu conheço esse lugar. E a história de José me ensinou que o lugar onde estamos quando nos sentimos mais longe do propósito pode ser exatamente o lugar onde o propósito está sendo formado em nós.

As perguntas que José faria para você

Se José pudesse sentar ao seu lado hoje, com a serenidade de quem passou pelo poço, pela escravidão e pela prisão e viu tudo se transformar, ele faria perguntas simples e diretas.

Qual foi o sonho que Deus plantou em você antes do poço? Não o sonho que você construiu para impressionar. O que surgiu espontaneamente, antes de você saber o que fazer com ele.

O que o seu poço atual está desenvolvendo em você? Não o que está te tirando, mas o que está construindo. Paciência, caráter, fé, habilidades que você não teria desenvolvido no conforto.

Você está sendo fiel ao que está diante de você agora? José não esperou as condições perfeitas para ser excelente. Ele foi excelente no poço, na escravidão e na prisão. O que está ao seu alcance hoje?

O que você vai nomear quando chegar no outro lado? Manassés e Efraim. O que cresceu em você onde você sofreu?

Treze anos. Trinta anos. O tempo certo.

José tinha dezessete anos quando o sonho chegou e trinta quando se cumpriu. Treze anos que, do lado de fora, pareciam fracasso, injustiça e esquecimento.

Do lado de dentro, eram formação.

Gênesis 41:39 registra as palavras do faraó sobre José: “Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você.”

O faraó não estava descrevendo o menino de dezessete anos dos sonhos. Estava descrevendo o homem que havia sido formado por treze anos de circunstâncias impossíveis.

Você não está atrasada. Você está sendo formada.

E o tempo que parece perdido pode ser exatamente o tempo que está produzindo em você o que o cumprimento do propósito vai exigir.

Propósito é para você. Não apesar do que você viveu. Por causa disso.

Você se sente perdida e atrasada no propósito? Me conta nos comentários quanto tempo você está nessa espera.

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